Terça-feira, 7 de Junho de 2011

TRISTEMENTE CALMO

Tudo está calmo...tristemente calmo...uma paz doída...

as lágrimas gelaram...o outro lado de mim petrificou...

já não há mágoas e as feridas secaram...

como o meu corpo...já não choro porque nada acontece...

a meu lado dorme a ausência e um amargo travo de solidão.

 

O meu pensamento está tristemente vazio...não vivo e não morro...

apenas estou...fujo de mim e procuro-me...espero-me e escondo-me

dentro do nada...quero correr até ao outro lado da vida para me

libertar dos dedos frios do silêncio...esquecer-me...perder-me

para renascer...seguir comigo para longe de mim.

 

Tudo está calmo...na paz da eternidade para onde quero voar...

na poesia que hoje tem o gosto do deserto que me envolve...

apenas um gemido de palavras esquecidas...de sonhos envoltos

na escuridão serena das trevas...nas madrugadas que são as sobras

das noites vestidas de ausência...nada acontece...um frio gélido de

morte envolve um suspiro de amor esquecido no tempo...

nos lençóis frios tecidos de amargura...rasgando a carne...

na noite onde a solidão é mais solidão...na eternidade da minha

procura...no silêncio onde descansa a minha alma.

 

Tudo está calmo...tristemente calmo...e eu ainda existo...

a noite é minha...infinitamente minha...dolorosamente minha...

presa no meu corpo...dolorosamente só...num voo eternamente

solitário...como um beijo que trago na pele...uma lembrança que

o vento me tráz...mas nada acontece...e eu deixo-me ficar assim...

perdida entre os restos do que fui...e o fantasma do que sou...

um rosto enevoado pelo espelho do tempo...pelo Outono da vida...

e ainda cá estou...presa entre o gesto e as mãos...

na renúncia sem retorno...entre o abismo e a imensidão...

onde repousa a sombra do que sou...na noite imensa que me espera

...onde não acontece nada.

 

Há em mim um jardim de espinhos...que silenciosamente afaga

o meu corpo...como um leve beijo de tristeza...entre os instantes em

que não acontece nada...na penumbra deste entardecer...

onde repousam os meus restos...no abismo dos meus passos...junto

à campa onde me espero...no esquecimento onde não me encontro.

 

Cai a noite sobre mim...fria...inerte e avassaladora

Dilacerando o meu corpo ferido...fúnebre escuridão

Esculpindo a dor...com o amargo gosto da sepultura

A última gota de silêncio...bebida em copo de solidão

 

Sou a sombra do poente...um grito da alma em sangue

Deserto no fundo da noite...um eco profundo...o nada

Neste céu escurecido...repousa o meu corpo exangue

Sepultado no vazio...desceu à terra na fria madrugada

 

Tudo é tempo...tudo é breve...uma noite num momento

Espalhei a vida...num palco onde nunca me encontrei

Escrevo-me e reescrevo-me...e fico assim folha ao vento

Entre o mar e a tempestade...no cais da solidão fiquei

 

No meu corpo jaz um poema...um eterno poema de amor

Vestido de solidão...amortalhado e enterrado no meu peito

Entre a sombra e o silêncio...canto neste verso a minha dor

Escrevo o que de mim restou...canto a noite onde me deito.

 

                                                                                                          ROSASOLIDAO

 

Publicado por Lay Teixeira Lay às 20:33
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